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Implicações Psiquiátricas da Cirurgia Bariátrica








Todo paciente que se submete à cirurgia bariátrica deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar, que vai investigar os motivos de o paciente estar se submetendo à cirurgia, o peso e o histórico de dietas, o comportamento alimentar atual, compreensão a respeito da cirurgia e das mudanças necessárias ao estilo de vida,  suas características cognitivas, as expectativas para depois da cirurgia, sua rede de apoio social, o histórico de problemas psiquiátricos e os sintomas atuais.  Raramente o paciente obeso terá como contraindicação à cirurgia um motivo psiquiátrico. Mesmo assim, um terço dos pacientes precisa de acompanhamento psicológico durante o processo todo. 
Existe uma proporção importante de pacientes que não conseguem sustentar os resultados da cirurgia por muito tempo e isso pode ter relação com traços específicos da personalidade ou de temperamento, como baixos escores de persistência, o que ressalta a importância do acompanhamento psicológico tanto no pré quanto no pós-operatório. Outras características ligadas a um resultado pobre são déficits de memória e prejuízo nas funções executivas. 
Depois da cirurgia, existe um risco de que pacientes que necessitam de medicação psiquiátrica sofram descompensações devido à dificuldade de absorção. Tal risco é menor para a técnica conhecida como gastrectomia vertical (www.youtube.com/watch?v=mgFinA7jiCw), o que não significa, por si só, que todos os pacientes que utilizam medicações devem submeter-se a este tipo de procedimento. A escolha depende da análise médica que leva em consideração múltiplos fatores.  
Para a maioria dos pacientes, a descompensação não é a regra. Os estudos mostram que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica costumam experimentar melhora na qualidade de vida, autoestima, imagem corporal, sintomas depressivos e de compulsão alimentar.  Um estudo que analisou 115 pacientes antes e até dois anos depois da cirurgia, detectou que a prevalência de diagnósticos psiquiátricos caiu de 40 para 20%.  
Os sintomas depressivos tendem a manter-se em remissão mesmo até 10 anos depois da cirurgia. Apesar disso, como contraponto negativo, há mais suicídios entre os pacientes que se submeteram ao procedimento. Outros transtornos que podem emergir depois da cirurgia são o descontrole de impulsos e o aumento no consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, principalmente se já havia história de uso problemático. Isto sugere uma espécie de transferência ou transformação dos sintomas compulsivos do antes para o depois da cirurgia. 
Uma adequada avaliação das características psicológicas e dos sintomas psiquiátricos, no contexto do esforço multidisciplinar, é essencial para a manutenção do resultado positivo da cirurgia, tanto quanto o acompanhamento de longo prazo.  


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